Enfim… É sempre possível inovar em alguma coisa.
Via CultrVultr.
Você já deve ter lido por aí todo tipo de dicas de criatividade. A maioria fala em acumular muitas informações provenientes de áreas diferentes do conhecimento, para então criar conexões inesperadas entre assuntos. Mas será que essa é toda a verdade?
Eliminando os ruídos
Informação sem algum tipo de método cria dispersão e cansaço, não necessariamente insights brilhantes. Por mais estranho que pareça, a criatividade vem, em especial, da capacidade de selecionar e de eliminar ruídos de informação.
Pense nos cientistas tidos como revolucionários, como Einstein ou Planck (um dos responsáveis pela mecânica quântica). Por mais diferentes que tenham sido seus trabalhos, de alguma forma, eles tiveram que descartar muita informação para conseguir construir suas teorias. Gastaram muito tempo refinando seus métodos para ignorar o que não interessava.
A arte de ignorar
Não é preciso ser cientista para saber ignorar. Aparentemente, estamos ficando cada vez melhores nisso.
Pense na publicidade. Quantos de nós simplesmente já “não enxergam” mais anúncios? Criamos até programas especializados em eliminá-los. E depois novas estratégias para despertar atenção para propaganda, como o marketing viral - que geralmente passa da diversão ao tédio em poucos dias.
Assim, a criatividade também vem da eliminação ou do bloqueio da informação. Conceitos e idéias podem ser tanto um combustível quanto assassinos de inovação. Dependendo da dose, o veneno pode ser vacina ou doença.
Flexibilidade
Então, para ser criativo, devo me sentar numa pedra e tentar nunca mais me informar? É claro que não. Nem a simplicidade e nem a complexidade garantem inovação. Nem informação, nem ausência dela.
A história mostra que a criatividade nasceu de muitos fatores: do conhecimento, do erro e até da arrogância. Mas todos esses fatores tiveram que se fundamentar num “ambiente mental” de flexibilidade. Às vezes voluntária, às vezes forçada.
Por exemplo, há algumas décadas, os executivos da Xerox estavam tão presos aos seus conceitos de certo ou errado que não conseguiram enxergar o potencial comercial das interfaces gráficas.
Se hoje usamos Macintoshs e Windows, devemos isso à certa megalomania e hiponguismo de Steve Jobs. Sua mente estava mais aberta e flexível para o inesperado. E ele conseguiu ver negócio num estranho aparelho chamado de rato (mouse). O que poderia ser mais improvável na época?
Existe uma fórmula?
Fórmulas são úteis, mas limitadas. Muitas vezes, buscamos saídas prontas, por pura preguiça de pensar. Ou corremos atrás de zilhões de informações, acreditando que um dia teremos um insight incrível, que resolverá nossos problemas.
Mas a saída parece não estar nem no excesso de esforço, nem na preguiça. Nem no shopping center de informações, nem na ignorância. Nem na regra, nem na suposta ausência delas. A criatividade pode estar bem ali no meio. Numa atitude de abertura e flexibilidade.