Procrastinação 2: Preguiça ou hiperatividade?
Segundo estudos desenvolvidos por psicólogos e neurologistas desde os anos 80, a procrastinação é bem diferente da preguiça. Imagine uma linha com dois extremos de produtividade. De um lado o acomodado personagem de Mário de Andrade, Macunaíma, e de outro o hiperativo Leonardo Da Vinci. Seria bem mais fácil encontrar procrastinadores no lado do renascentista. Aliás, ele próprio tinha um considerável portfólio de projetos deixados para depois e é reconhecido como um dos grandes enroladores da história.
Parece estranho que tenha ele tenha criado tantas coisas, em diversas áreas do conhecimento? Nem tanto. Pesquisadores indicam que muitos procrastinadores podem ser na verdade viciados na sensação de “prazo estourando”. Deixam tudo para a última hora porque gostam da adrenalina da urgência, da necessidade de terminar uma tarefa imediatamente, para não sofrer as conseqüências. Como Rocky Balboa, só funcionam no último round.
Problema de saúde pública?
Infelizmente, nem toda procrastinação é assim positiva. Uma pesquisa publicada pelas revistas Slate e New Scientist, indica que 20% dos trabalhadores de escritório dos EUA sofrem com o problema. É o dobro do número de casos de depressão (10%). Piers Steel, da Universidade de Calgary, no Canadá, descobriu que a maioria dos enroladores está longe de sentir-se feliz. Os dados revelam pessoas que se consideram estressadas e sobrecarregadas.
É comum encontrar depoimentos falando em perda do controle do tempo. Muitos procrastinadores sentem que o dia passa sem que tenham produzido o mínimo necessário. Há casos de gente que se individa por perder prazos de pagamentos, que fica desempregada ou passa por crises de auto-estima.
Estudos da pesquisadora Fuschia Sirois vão ainda mais longe. Em entrevista para a New Scientist, ela afirma que a procrastinação é um caso de saúde pública. Segundo ela, os enroladores fazem menos exercícios, não visitam médicos e tendem a desenvolver mais doenças. Pior: não verificam equipamentos de segurança em suas casas, automóveis e ambientes de trabalho, causando problemas para suas famílias e empregadores.














“É comum encontrar depoimentos falando em perda do controle do tempo. Muitos procrastinadores sentem que o dia passa sem que tenham produzido o mínimo necessário. Há casos de gente que se individa por perder prazos de pagamentos, que fica desempregada ou passa por crises de auto-estima.”
Me achei aqui. Foi preciso! Sou eu sem tirar uma vírgula. E outra… Tenho bem menos genialiadade do que Da Vinci, mas me enfio em mil projetos inacabados…
Socorro!!!!
@Romulo Carvalho: Continue acompanhando a série. O problema é mais comum do que você imagina.