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[Procrastinação 2] Preguiça ou hiperatividade?

Leonardo Da Vinci: produtivo ou procrastinador? Ou os dois?Segundo estudos desenvolvidos por psicólogos e neurologistas desde os anos 80, a procrastinação é bem diferente da preguiça. Imagine uma linha com dois extremos de produtividade. De um lado o acomodado personagem de Mário de Andrade, Macunaíma, e de outro o hiperativo Leonardo Da Vinci. Seria bem mais fácil encontrar procrastinadores no lado do renascentista. Aliás, ele próprio tinha um considerável portfólio de projetos deixados para depois e é reconhecido como um dos grandes enroladores da história.

Parece estranho que tenha ele tenha criado tantas coisas, em diversas áreas do conhecimento? Nem tanto. Pesquisadores indicam que muitos procrastinadores podem ser na verdade viciados na sensação de “prazo estourando”. Deixam tudo para a última hora porque gostam da adrenalina da urgência, da necessidade de terminar uma tarefa imediatamente, para não sofrer as conseqüências. Como Rocky Balboa, só funcionam no último round.
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Um blog improdutivo sobre produtividade

Dilbert, o guru da frustração no trabalhoTrabalho é um dos temas mais importantes da sociologia. Devo ter estudado o assunto a partir de pelo menos umas 30 perspectivas diferentes na época em que era um estudante de ciências sociais, na PUC-SP.

Deixei a carreira acadêmica no mestrado, em 1999, porque achei que boa parte dos conceitos a que eu tinha acesso eram pura perda de tempo - ao menos para meus interesses. Como seria possível falar sobre trabalho e sociedade sem explicar a máquina por trás disso: o cérebro? Mais que isso: sem investigar a mente?

Quem diria, quase 10 anos depois volto a palpitar sobre o assunto trabalho. E de um ponto de vista um tanto estranho: o da produtividade pessoal. O que leva a pensar que este seja um blog de consultoria de empresas. Está bem longe disso.

Do que você entende, a final?

A idéia do Produtividade Pessoal (PP) começou de uma pergunta que fiz para mim mesmo: do que, afinal, eu entendo? Na verdade, de quase nada, apenas esbarro em muitos assuntos. A única coisa em que tenho uma real experiência é em ficar de saco cheio de trabalhar.

Parece estranho, mas é o meu carma (e meu caminho). Por mais que goste de um emprego, cedo ou tarde acabo profundamente entediado e querendo mudar de vida.

Isso acontece com muita gente: ter uma relação de amor e ódio com o trabalho. Às vezes a balança pende para um lado, às vezes para o outro. Alguns suportam o processo e conseguem criar um caminho construtivo para si e para o mundo à sua volta. Outros se tornam espécies de fantasmas famintos, buscando uma satisfação, um ideal de felicidade que não vão encontrar no trabalho.

Nem em outro lugar. Porque esse movimento é um jogo da mente, um veneno circulando nas sinapses. Como diria Lacan, amamos mais o desejo do que o objeto de desejo. Ou seja: desejamos desejar, nos frustramos quando não há algum objetivo para perseguir.

Joga pedra na Geni

Como o trabalho é algo no qual gastamos muito tempo e sobre o qual criamos muitas expectativas, geralmente acaba sendo considerado o culpado por muitas coisas. É, ao mesmo tempo, nosso boi de piranha, bode expiatório e judas de malhar.

Por isso quis criar o PP. Para investigar o trabalho além das perspectivas de consultorias. Com isso, nem sempre serei “explicitamente útil”, se é que você me entende. Quer dizer, nem sempre escreverei coisas como “10 dicas para fazer isso ou aquilo”. Às vezes, uma reflexão, ou se livrar de um preconceito, pode ser a melhor dica de produtividade.

Faz sentido para você? De qualquer forma, seja bem-vindo. Assine o RSS, inscreva-se para cometar e vamos em frente.