Trabalho é um dos temas mais importantes da sociologia. Devo ter estudado o assunto a partir de pelo menos umas 30 perspectivas diferentes na época em que era um estudante de ciências sociais, na PUC-SP.
Deixei a carreira acadêmica no mestrado, em 1999, porque achei que boa parte dos conceitos a que eu tinha acesso eram pura perda de tempo - ao menos para meus interesses. Como seria possível falar sobre trabalho e sociedade sem explicar a máquina por trás disso: o cérebro? Mais que isso: sem investigar a mente?
Quem diria, quase 10 anos depois volto a palpitar sobre o assunto trabalho. E de um ponto de vista um tanto estranho: o da produtividade pessoal. O que leva a pensar que este seja um blog de consultoria de empresas. Está bem longe disso.
Do que você entende, a final?
A idéia do Produtividade Pessoal (PP) começou de uma pergunta que fiz para mim mesmo: do que, afinal, eu entendo? Na verdade, de quase nada, apenas esbarro em muitos assuntos. A única coisa em que tenho uma real experiência é em ficar de saco cheio de trabalhar.
Parece estranho, mas é o meu carma (e meu caminho). Por mais que goste de um emprego, cedo ou tarde acabo profundamente entediado e querendo mudar de vida.
Isso acontece com muita gente: ter uma relação de amor e ódio com o trabalho. Às vezes a balança pende para um lado, às vezes para o outro. Alguns suportam o processo e conseguem criar um caminho construtivo para si e para o mundo à sua volta. Outros se tornam espécies de fantasmas famintos, buscando uma satisfação, um ideal de felicidade que não vão encontrar no trabalho.
Nem em outro lugar. Porque esse movimento é um jogo da mente, um veneno circulando nas sinapses. Como diria Lacan, amamos mais o desejo do que o objeto de desejo. Ou seja: desejamos desejar, nos frustramos quando não há algum objetivo para perseguir.
Joga pedra na Geni
Como o trabalho é algo no qual gastamos muito tempo e sobre o qual criamos muitas expectativas, geralmente acaba sendo considerado o culpado por muitas coisas. É, ao mesmo tempo, nosso boi de piranha, bode expiatório e judas de malhar.
Por isso quis criar o PP. Para investigar o trabalho além das perspectivas de consultorias. Com isso, nem sempre serei “explicitamente útil”, se é que você me entende. Quer dizer, nem sempre escreverei coisas como “10 dicas para fazer isso ou aquilo”. Às vezes, uma reflexão, ou se livrar de um preconceito, pode ser a melhor dica de produtividade.
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